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Loucos pela vida!

16 de ago. de 2012
4 min de leitura

Hoje, feriadão em BH, me peguei abrindo as páginas do “On the road” de novo. E não é que eu ainda continuava com o livro na cabeça, mesmo depois daquele meu post desabafo que me rendeu recordes de visualizações um após o outro (obrigada!). Quando peguei  livro de novo, tentei ver as partes que tinha marcado da outra vez e li algumas frases elétricas de Sal Paradise, ao acaso. Mas a parte que li mesmo (e li toda) foi o fim do livro, uma parte especial dedicada ao Jack Kerouac. O cara demorou 10 anos para publicar “On the road” e as críticas e muitos comentários que se sucederam do grande boom que foi o livro, não o deixaram feliz nem realizado. Na verdade, pelo que li, ele foi taxado de inúmeros nomes que ele alegava que não era, e acredito que não era mesmo. Daí ele pirou com isso e chegou alegar que ” nunca conheceu nenhum hippie” e ainda que era direitista, católico fervoroso e dizem que ele morreu sem nem saber do paradeiro de nenhum dos personagens histórios do mais famoso livro que escreveu.


Agora cá entre nós: não é que sempre somos confundidos com os personagens de nossas próprias histórias? E para aqueles que como EU, têm muitas histórias para contar, histórias de viagens, de amor, de tragédia e até do além, fica a sensação que somos os loucos do nosso círculo. Mas será que isso é ruim!?


E como semelhante atrai semelhante, eu cruzei com inúmeros loucos na minha vida até agora. E espero continuar encontrando, afinal o que seria da estrada sem eles!? Quando olho para trás, acho que a maioria dos loucos estavam, assim como eu, on the road, porque não aguentavam ficar em um só lugar. Ou será que ficaram loucos quando estavam na estrada!? Anyway, fico feliz que tenha encontrado, em Santiago do Chile, há alguns anos, Tal, Yoav and Olly, que me mostraram que era possível pegar uma mochila e sair vagando por aí. Depois já em Atenas, conheci Muscula, minha prima que eu sinto que é mais minha irmã que tudo, que tinha tanta sede de viver que eu tinha vontade de acordar todo dia ao lado dela. De lá, rumei para a ilha de Samos e, não sei se vocês sabem, as ilhas são tipo hospícios em alto mar, tem doido para todo lado!Conheci Elin e Troy que foram os mais insanos companheiros que alguém pode ter em um lugar destes, um dia eu sento para contar os casos completos, mas só se prometerem que não vão me chamar de louca….


Mochilando pela Grécia, conheci vários pancados. Todos nós com muita pressa de chegar a algum lugar, enquanto na verdade a gente estava era fugindo da pergunta mor que habita a mente de quem fica muito tempo a deriva no rio da vida:  ” what are you running from?“. Kostas, Iorgos, Sofia, Micaeli…todos insanos de Samos! Quando o vento soprou e eu corri para Rhodes, esbarrei em um dos figuras inesquecíveis daquela viagem, o Cris, que tenho o prazer de papear até hoje, nas noites dos dias que nada parecem dar certo.  Mihali e seus amigos, em Patra, Natasa, Micaela, em Katerini, Petr e Harry  em Zakynthos. Kevin e Marcie do pub que em trabalhei em Caythorpe na Inglaterra, Steve, e Jane, como poderia esquecer da Jane! Cheia de vitalidade e melancolia, numa certeza que a vida é esta jornada insana. Kayla e Sara em Corfu, assim como Andy, Stefan e Anna, Alex e um grupo de albaneses, todos muito, muito loucos pela vida e pelos prazeres da vida, pelas doideras que a gente passa só porque decidiu viver ao invés de existir! Em Poros, Marino, e aí peguei um barco e cheguei em Santorini, uma ilha mágica, misteriosa e sobretudo louca, que atraía todos os imigrantes do leste europeu para trabalharem no verão e que mandava todo mundo embora no inverno, nas manhãs frias e úmidas de fazer as juntas da mão doerem sem parar, que começavam com os anúncios de óbito do dia. Santorini das praias de areia negra de Perisa e Kamari, Santorini de Oia e Imerovigli, de Fira e de Kokini Paralia. Santorini de Eborio, de muitos Petros e Irinis, de muitos Kostas e Marias, mas de só uma Luana, que pelo que todos falavam, era louca de pedra. Dizem que ela pulou da Grécia para a Turquia e que anda pelas bandas de lá na companhia dos não menos insanos Guray e Serdar….


Back home também encontrei meus amigos doidinhos belorizontinhos, Mari, Leo, Kamlinha, Cris, e por aí vai. Queria falar todas as línguas do mundo, para que meus amigos ingleses, australianos, gregos, turcos, islandeses, thcecos, suecos, noruegueses soubessem a diferença que fizeram quando cruzaram meu caminho. Aos que podem me entender, saibam que louco é o maior elogio que alguém pode te oferecer. É só aceitar e agradecer.

Comecei falando do Jack e queria terminar dizendo que adoraria ter um figura que pensa assim como meu amigo. Será que estou falando do Jack ou do Sal?Posso até ouvir ele dizendo, quase que recitando, enquanto eu escuto sentada em algum sofá amarelo velho de uma casa ao lado de um pequeno cemitério, escuto enquanto observo o começo de uma manhã gelada, back in 2006, somewhere between Lincoln and Nothingham :  “The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars”…….

Obrigada a todos os Jacks que já passaram por mim!


Para ver mais looks da Lulu, vai no blog da Cents! http://lojacents.wordpress.com/2012/08/16/look-do-dia-picknick-dresses/

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