Conheça Eborio, o bairro medieval de Santorini (e suas portas)
Hoje eu quero apresentar para vocês um pouquinho da “vida real” de Santorini. Eu simplesmente amo a caldeira do vulcão que pode ser vista da capital Fira e também fico boquiaberta toda e cada vez que vejo um pôr do sol na inigualável vila de Oia, mas é que isso é a famosa e belíssima Santorini dos turistas.
Na minha última viagem a Santorini eu tive a honra de apresentar para as meninas que foram filmar o book trailer do meu livro comigo, alguns cantinhos escondidos super especiais da ilha. E ali, bem ao lado da famosa praia de areias negras conhecida como Perissa existe o maior e mais antigo bairro de Santorini, Eborio (pronuncia-se Eborío).
Em grego, eborio quer dizer algo como “comércio” (por favor, professores de grego podem me corrigir se eu falei m****) e eu nem sei te explicar direito como que eu caí direto nesse bairro na minha primeira semana em Santorini. Afinal, lá só moram gregos nativos da ilha e eles se orgulham muito disso. Não tem muita brecha para estrangeiros e cada morador conhece a fundo a família do outro, não há trancas nas casas e as chaves ficam na ignição dos carros noite e dia. Também preciso dizer que algumas ruas são tão estreitas que apenas uma pessoa passa a pé, em outras casas ao pé do morro o acesso é tão limitado que só os burrinhos carregam todo tipo de carga, porque carro não entra. As motos loucas e aceleradas da molecada é praticamente o único ruído que se escuta na rua no verão e talvez, no inverno, o grito das ciganas vendendo roupa na porta das casas.
Hoje eu me sinto abençoada de ter vivido uma experiência tão grega em uma ilha tão especial, afinal eu morei em 4 casas nesse bairro de Eborio. A última casa era linda e ficava situada bem acima da minha primeira loja de roupas, em Santorini. Da pequena janela eu via o mar da praia de Perissa, mesmo que de longe. Mas tenho que confessar que o começo foi bem menos romântico e tranquilo do que eu queria e inúmeras vezes eu me ridicularizei por estar vivendo em um bairro tão medieval, antiquado e tradicional. Pois é, me pareceu, por um bom tempo, que a vida estava apenas rindo da minha cara, se divertindo com a minha peleja. Eu não podia ir na cafeteria da praça sozinha, não podia entrar no cafenío nem para comprar um chiclete (que é a cafeteria só para homens), eu só podia comprar pão na padaria do fulano, eu não podia falar com ninguém no ponto de ônibus para não parecer oferecida, nunca caminhar até a praia, jeans claro no verão e jeans escuro no inverno….e por aí vai! A lista de regras sociais de um lugar que me parecia parado no tempo era longa e exaustiva e fazia eu me sentir a pessoa mais deslocada do mundo. E quem nunca se sentiu um patinho feio?
E ainda assim, eu amava Santorini. Demorou algum tempo, mas Santorini acabou por me amar também. A ilha e seu povo de coração puro e rude acabaram por aceitar, mesmo sem nunca entender, que a minha natureza era um pouco mais livre e sonhadora do que a deles mas isso não era necessariamente ruim. E eu, depois de muita reflexão e muitos retornos a Santorini, consegui apreciar a beleza nos menores detalhes da rotina na ilha. E entendi, nessa minha última viagem, que era exatamente isso que eles estavam tentando me dizer: “Gostamos da vida simples e boa, mas aqui ela é muito boa.” (frase de um Santorinhós qualquer, de um filósofo grego de ilha.) E não é que ele tem a sua razão?
Para fechar com chave de ouro, posto algumas fotos das portas do bairro medieval de Eborio, em Santorini. Ah, e tem casa para alugar lá, viu?! Se alguém quiser se aventurar pelo túnel do tempo para viver na ilha que muitos juram que é Atlantis, é só me escrever um email: luana.sarantopoulos@gmail.com 😉 Fiquem ligados pois teremos posts sensacionais com muito mais fotos nessa locação especial e escondida de Santorini 😉 BJs!

Uma das minhas favoritas!










Comentários